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Sono infantil, de acordo com o Dr. Eduard Estivill


O doutor Eduard Estivill É pediatra e especialista em Neurofisiologia Clínica. Desde 1989 dirige a Clínica do Sono Estivill do Institut Universitari Dexeus da USP em Barcelona, ​​e é coordenador da Unidade de Sono do Hospital Geral da Catalunha. Ele foi treinado como um especialista em sono no Centro de Distúrbios do Sono do Hospital Henry Ford de Detroit, nos Estados Unidos, e é membro das mais prestigiosas sociedades espanholas e estrangeiras da área. É autor de mais de 200 artigos sobre distúrbios do sono em publicações científicas e entre seus livros mais conhecidos destaca Vai dormir garoto.

Nesta entrevista com GuiaInfantil.com, Dr. Estivill nos fala sobre os hábitos de sono das crianças, o local mais favorável para dormir crianças e bebês, e a possibilidade de ensinar o bebê a dormir, pois pelo que ele diz, “você também aprende a dormir”.

Qual é o local mais adequado para o bebê dormir?
As crianças costumam dormir em seus quartos em nossa cultura. Em outras culturas e basicamente por causa da economia, por exemplo, na África, todos dormem juntos. As crianças dormem no mesmo quarto com os pais, e com os avós, galinhas e outros animais que têm, porque são pobres. Na África, quando uma família progride um pouco economicamente, a primeira coisa que faz é colocar um quarto para os animais, outro para os filhos e outro para os pais.

É benéfico para a família que o bebê durma com os pais?
Em nossa cultura, é recomendado que a mãe esteja perto do filho, principalmente nos primeiros meses, para poder amamentá-lo enquanto ele dorme. A criança, na verdade, adquire o carinho, esse contato que damos a ela, quando ela está acordada. A criança pode ficar ao lado da cama dos pais para conforto da mãe e posteriormente, se os pais entenderem necessário, podem colocá-la em seu quarto. Se não houver mais espaço, então pode ser perfeitamente recomendado que um canto da sala seja habilitado como um espaço ou canto de criança. Lá eles vão colocar seus desenhos ou bichinhos de pelúcia, e ao lado pode estar a cama dos pais, mas a criança diferencia muito bem onde dorme e onde estão os pais.

Com que idade a criança deve ser trocada do berço para a cama?
A criança pode ficar no berço no seu quarto a partir dos 2, 3 ou 4 meses. A partir dos 6 meses, que é quando a mãe volta ao trabalho e os filhos começam com a alimentação complementar, então é um bom momento para trocar o bebê para o seu quarto, se os pais decidirem. A mudança do berço para a cama se deve mais ao tamanho e ao crescimento da criança.

Como podemos ensinar nosso bebê a dormir?
Hoje sabemos que dormir é uma necessidade do corpo, mas você aprende a dormir bem. É o mesmo que fome. A fome é uma necessidade do corpo, mas ensinamos as crianças a comer corretamente. Ensinamos a tomar a sopa com a colher e com a boca fechada, são regras de hábito à mesa. No sonho acontece exatamente o mesmo, podemos ensinar uma criança a dormir bem desde o primeiro dia em que nasce, seguindo o que ela faz quando está na barriga da mãe.

Os hábitos do bebê no útero devem ser transferidos para o exterior após o nascimento?
Sim. Observamos que, na barriga da mãe, o bebê fica acordado por 20 a 30 minutos e depois adormece espontaneamente. Quando a criança nasce, temos que aproveitar o tempo que a criança está mamando para mantê-la acordada com pequenas carícias ou conversando com ela. Assim, fazemos com que a criança associe o estar acordado à comida. Depois de comer, devemos segurá-lo por cerca de 10-15 minutos em nossos braços e incorporado de forma que retire o ar que foi engolido. Aí trocamos e colocamos de volta na cama, sempre acordado. Se fizermos assim, a criança vai aprender a dormir desde o primeiro dia, ou melhor, não vai desaprender o que já faz na barriga da mãe de forma natural.

O que podemos fazer quando o bebê chora? Como entender por que as crianças choram?
O choro da criança é algo que temos que entender. Nem todo choro é patológico. O choro é uma forma de comunicação, a criança explica o que sente ao chorar. Quando uma criança pequena pega um dedo na porta, ela dá uma espécie de choro e a mãe sabe reconhecer. Existe outro tipo de choro, que a criança utiliza como demanda de uma situação que pode não ser a certa, por exemplo, quando ela quer um doce e a mãe não dá para ele; então a criança chora, a mãe sabe perfeitamente que esse choro não é patológico. O mais importante é que a mãe esteja sempre tranquila diante de uma situação de choro da criança e saiba observar perfeitamente que tipo de choro a criança está dando naquele momento. Se estamos diante de um grito de dor, obviamente temos que cuidar o máximo possível, mas se for simplesmente um grito de demanda, é uma forma de comunicação, então a mãe ou o pai tem que continuar ditando a norma ou rotina até a criança aprender.

Marisol New. Editor do nosso site

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